
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta terça-feira (11 de novembro de 2025) o pedido de liberdade provisória da influenciadora Maria Karollyny Campos Ferreira, conhecida como Karol Digital, e de seu namorado, Dhemerson Rezende Costa, ambos presos desde agosto no Estado do Tocantins. A decisão reafirma a manutenção da custódia enquanto o processo contra os investigados segue em tramitação.
Segundo as investigações, Karol Digital e o namorado são acusados de integrarem esquema de exploração ilegal de jogos de azar, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular.
Eles teriam enganado seus seguidores, afirmando não ter contratos com plataformas de apostas, enquanto recebiam valores milionários por meio de divulgação dessas empresas.
A investigação aponta para movimentação financeira de aproximadamente R$ 217,6 milhões entre janeiro de 2019 e outubro de 2024, via 30 contas bancárias de 11 agências em 13 instituições financeiras. Deste montante, cerca de R$ 37,2 milhões teriam sido depositados diretamente em contas pessoais da influenciadora.
Na operação de agosto, intitulada “Operação FRAUS”, foram apreendidos sete veículos — entre eles uma McLaren, um Porsche e uma RAM 3500 — e sete imóveis, além de uma fazenda avaliada em cerca de R$ 8 milhões.
Na decisão, a ministra Cármen Lúcia rejeitou o argumento da defesa de que o direito à ampla defesa teria sido cerceado — em especial, com alegações de que a defesa não teve acesso completo aos autos do processo — apontando que a autoridade policial e o juízo competente comprovaram que o acesso havia sido garantido.
Ela ressaltou que o instrumento jurídico utilizado pela defesa — reclamação dirigida ao STF — não serve para reexaminar atos judiciais, mas apenas para assegurar a observância de decisões da corte.
A ministra destacou ainda a complexidade e o “amplo alcance” da investigação, envolvendo lavagem de dinheiro, fraudes bancárias, empresas de fachada e plataformas de apostas, o que justificaria a manutenção da custódia cautelar.
Com a decisão, Karol Digital e o namorado permanecem detidos, enquanto o processo — que já teve a denúncia aceita pelo juízo competente — prossegue. A manutenção da prisão preventiva mostra o entendimento da Justiça de que há risco de continuidade da atividade criminosa ou de comprometimento da apuração.
A repercussão do caso atinge redes sociais e plataformas de apostas, trazendo à tona debates sobre a atuação de influenciadores na promoção de jogos de azar, a responsabilidade sobre os conteúdos publicados e a fiscalização de plataformas de apostas online.
Para o público do Tocantins, o caso ganha ainda maior relevância ao envolver recursos elevados, bens de luxo e uma investigação que se estende por vários anos — reforçando o alerta para práticas ilegais que podem ocorrer sob aparente “vida de ostentação”.
O processo penal seguirá seu curso na Justiça do Tocantins, com instrução, produção de provas e eventuais pedidos de recurso.
A defesa poderá tomar medidas dentro dos prazos legais, enquanto a acusação acompanha os trâmites e requerimentos.
O caso serve como base para a intensificação de fiscalizações contra empresas de apostas e plataformas que operam por meio de influenciadores, bem como para a discussão de regulamentações mais rígidas nessa área.