Segunda, 31 de Agosto de 2026
22°C 42°C
Palmas, TO
Publicidade

Após três dias de debates, IV Conacomp encerra em Palmas com olhar para o futuro da comunicação pública no MP

Encontro reuniu cerca de 90 comunicadores de todo o país, promoveu troca de experiências e anunciou São Paulo como sede da edição de 2027

JAVAN QUIXABEIRA
Por: JAVAN QUIXABEIRA Fonte: Dicom MPTO
31/08/2026 às 09h29 Atualizada em 31/08/2026 às 09h34
Após três dias de debates, IV Conacomp encerra em Palmas com olhar para o futuro da comunicação pública no MP

Três dias de debates sobre inteligência artificial, inovação, novas linguagens, criatividade, reputação e os desafios de fazer a informação pública chegar ao cidadão terminaram com uma mensagem essencialmente humana: nenhuma tecnologia substitui a capacidade de ouvir, criar vínculos e comunicar com empatia e propósito. 

Foi nesse clima que chegou ao fim, nesta sexta-feira, 28, o IV Congresso Nacional de Comunicadores do Ministério Público Brasileiro (Conacomp), realizado na sede do Ministério Público do Tocantins (MPTO), em Palmas. O encontro reuniu cerca de 90 profissionais de comunicação de Ministérios Públicos de todo o país.

Humanidade em tempos de algoritmo

A reflexão sobre o lugar das pessoas em meio às transformações tecnológicas abriu a programação do último dia. Na palestra “Inteligência Orgânica: Humanidade em Tempos de Algoritmo”, o jornalista e futurista Pedro Cortella defendeu que a inteligência artificial seja utilizada para ampliar a capacidade dos profissionais, sem substituir pensamento crítico, criatividade e sensibilidade.

Ao tratar das transformações tecnológicas e da pressão por entregas cada vez mais rápidas, Cortella apresentou o conceito “Eu mais IA”, baseado na integração consciente entre o profissional e as ferramentas digitais.

"Eu só sei usar bem a inteligência artificial porque passei minha infância sem ela", ponderou o especialista, ao ressaltar que a tecnologia não pensa por si e exige uma postura crítica constante.

O valor da conversa

Em meio às discussões sobre inteligência artificial, futuro e inovação, o comunicador Rodrigo Borges trouxe para o centro do debate uma tecnologia essencialmente humana: a conversa.

Criador do Clube do Diálogo e palestrante em eventos de grande porte como a COP30 e G20, ele apresentou uma reflexão sobre a conversa como uma tecnologia ancestral capaz de aproximar pessoas, solucionar conflitos e transformar realidades no ambiente institucional. 

Em um cotidiano marcado pelo excesso de informações, distrações e respostas cada vez mais rápidas, ele destacou a importância da presença e da escuta ativa para criar relações mais genuínas e ambientes capazes de favorecer colaboração e novas ideias.

Toda conversa produz uma realidade, mas nem toda conversa produz vida. Precisamos voltar ao óbvio e fazer bem-feitas as nossas conversas”, afirmou.

Criatividade, bastidores e emoção

O talk show de encerramento também reuniu os criadores de conteúdo Mateus Fernandes Medeiros, Iremar Ramalho de Lucena e André Mamedes da Costa, que compartilharam experiências sobre criatividade, produção audiovisual e construção de conteúdos capazes de gerar identificação com o público.

Conhecidos nas redes sociais pelas esquetes de humor, mininovelas e vídeos curtos produzidos a partir de situações do cotidiano, os convidados mostraram que, por trás de conteúdos aparentemente simples e espontâneos, há planejamento, trabalho coletivo e profissionais envolvidos desde a concepção da pauta até a gravação, edição e entrega.

A conversa, no entanto, foi além de técnicas e estratégias de engajamento. Ao compartilharem experiências profissionais e pessoais, os convidados emocionaram os participantes e chamaram a atenção para as relações construídas nos bastidores, o reconhecimento das equipes e o propósito que sustenta o trabalho de quem comunica.

O momento acabou sintetizando uma reflexão que atravessou o último dia do congresso: ferramentas, plataformas e algoritmos podem ampliar possibilidades e alcance, mas comunicar continua sendo um encontro entre pessoas.

Conhecimento e vínculos

No encerramento, a diretora de Comunicação do MPTO, Kézia Reis, agradeceu aos participantes que vieram de diferentes regiões do Brasil e destacou que o saldo do congresso foi além do conhecimento técnico compartilhado.

Foram três dias de muito aprendizado, mas também de encontros e de construção de vínculos. Receber profissionais de todo o país no MPTO nos mostrou que, apesar das diferentes realidades, compartilhamos desafios, ideias e, principalmente, o propósito de fazer uma comunicação pública que chegue às pessoas. Encerramos o Conacomp com muito conhecimento, mas também com a certeza de que nenhuma tecnologia substitui a escuta, a sensibilidade e o olhar humano”, destacou.

Para o chefe da Comunicação do Ministério Público do Amazonas (MPAM), jornalista Elvis Chaves, que também integrou o grupo de trabalho responsável pela organização do evento, o Conacomp representa um espaço estratégico de integração e fortalecimento da comunicação do Ministério Público.

O Conacomp é o ponto de encontro onde a comunicação do Ministério Público brasileiro se reconhece como uma só. É aqui que alinhamos estratégia, técnica e compromisso público para mostrar à sociedade, de forma clara e responsável, o que o MP faz e por que faz”, afirmou.

A comissão organizadora, formada por integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e de diferentes unidades do Ministério Público, também destacou a trajetória construída pelo congresso ao longo de suas quatro edições. A troca de experiências e a construção conjunta de estratégias têm contribuído para fortalecer o trabalho das equipes e consolidar a comunicação pública como instrumento para o cumprimento da missão institucional do Ministério Público.

Três dias de troca e aprendizado

Ao longo da programação em Palmas, palestras, oficinas, rodas de conversa e apresentações de boas práticas colocaram em discussão desde a construção de narrativas capazes de aproximar as instituições das pessoas até o uso ético da inteligência artificial, a gestão de crises, a confiança pública, a inovação e as transformações no modo como a sociedade produz e consome informação.

Mais do que compartilhar ferramentas e soluções, o encontro aproximou profissionais que vivem desafios semelhantes em diferentes regiões e ramos do Ministério Público. Nos corredores, nas atividades e nas conversas que atravessaram os três dias, experiências profissionais e pessoais se misturaram, ampliando a troca de conhecimento e fortalecendo uma rede nacional de comunicadores.

De Palmas para São Paulo

O encerramento também apontou o próximo destino dessa rede. São Paulo foi anunciado como sede da quinta edição do Conacomp, em 2027, quando profissionais de comunicação do Ministério Público de todo o país voltarão a se reunir para dar continuidade às discussões e à construção conjunta de soluções.

O IV Conacomp foi promovido pelo Comitê de Políticas de Comunicação Social (CPCom), sob coordenação do Fórum Nacional de Gestão do Ministério Público (FNG-MP), vinculado à Comissão de Planejamento Estratégico do CNMP, e teve o MPTO como anfitrião.

Depois de três dias olhando para o futuro da comunicação pública, o congresso encerrou sua passagem pelo Tocantins reafirmando algo que nenhuma inovação tornou ultrapassado: para alcançar o cidadão, é preciso compreender quem está do outro lado. Tecnologia amplia possibilidades; empatia, escuta e propósito dão sentido à comunicação.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lenium - Criar site de notícias