
Os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli tiveram seus nomes associados a diferentes episódios relacionados ao escândalo envolvendo o Banco Master. Toffoli deixou a relatoria das investigações após questionamentos envolvendo sua relação com pessoas e negócios ligados ao banco, relatórios da PF menciona a venda de parte de um resort de luxo, que pertencia à família do ministro, para um fundo de investimentos ligado ao Banco Master. Moraes, por sua vez, passou a enfrentar questionamentos diante de elementos encontrados pela Polícia Federal e das relações contratuais entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa.
É fundamental fazer uma distinção: questionamentos, indícios ou suspeitas não significam condenação. Todo cidadão tem direito ao devido processo legal — inclusive ministros do Supremo.
Mas é justamente por ocuparem o topo do Poder Judiciário que deles deve ser exigido um grau ainda maior de transparência.
O Brasil não pode conviver com a percepção de que existem dois pesos e duas medidas: uma Justiça rigorosa para o cidadão comum e outra, cercada de proteções institucionais, quando os questionamentos chegam às autoridades responsáveis por julgar os demais.
O caso Master precisa ser investigado até o fim, sem prejulgamentos, mas também sem blindagens. Se nada houver, que isso seja demonstrado com transparência. Se irregularidades forem comprovadas, que existam responsabilização e consequências.
Porque nenhuma democracia permanece saudável quando uma pergunta começa a incomodar a sociedade: quem julga aqueles que têm o poder de julgar todos os outros?
OPINIÃI | Por Javan Quixabeira — Editor-chefe do site Notícia Tocantins
