
Politica é um jogo fascinante. Para quem, como eu, há anos acompanha os bastidores da política brasileira, o que aconteceu no Senado Federal não foi apenas uma votação frustrada, foi um fato histórico e uma demonstração explícita de fraqueza política do governo.
A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, por 42 votos a 34, vai muito além de um nome barrado. Trata-se de uma derrota direta, incontestável e politicamente constrangedora do Palácio do Planalto. Não há como suavizar: o governo perdeu o controle da própria base.
O Planalto não apenas errou na conta, errou na leitura política. Apostou em uma articulação que simplesmente não existia. Trabalhou com a expectativa de 45 votos e terminou com 34. Isso não é margem de erro, é desorganização. É a prova de que o governo vende força onde há fragilidade.
E mais: o Senado não rejeitou apenas Jorge Messias. Rejeitou o método do governo. Rejeitou a insistência em indicar nomes alinhados pessoalmente ao presidente como se o Parlamento fosse um cartório do governo. O recado foi claro, e duro: há limites para a influência do Executivo.
A narrativa de “nome técnico” não resistiu ao teste político. Em Brasília, técnica sem articulação é irrelevante. O governo parece ter ignorado essa regra básica e pagou o preço. Pior: expôs publicamente sua incapacidade de garantir votos até mesmo em uma pauta estratégica.
O episódio também desmonta um discurso recorrente do próprio governo: o de que possui ampla governabilidade. Não possui. Quando uma indicação ao STF, uma das decisões mais sensíveis de um mandato, é derrotada dessa forma, o que se vê é um governo que já enfrenta erosão política no meio do caminho.
Enquanto isso, a oposição fez o básico: articulou, conversou e venceu. Consolidou 42 votos e mostrou que, hoje, tem capacidade de organização. Alcolumbre se vingou de Lula por ele não ter indicado seu amigo o Pacheco.
O impacto não termina na votação. Ele projeta consequências. Um governo que perde assim no Senado entra mais fraco nas próximas batalhas. E com o calendário político avançando, especialmente mirando outubro, o risco é evidente: novas derrotas podem vir, e com ainda mais força.
No fim, o que aconteceu não foi apenas um revés. Foi um alerta vermelho. O governo precisará mudar sua forma de fazer política ou continuará acumulando derrotas que, aos poucos, corroem sua autoridade. Em política, derrotas ensinam, mas só produzem efeito quando são corretamente compreendidas.
Por | Fernando Henrique Freire Machado / Analista Jurídico- articulista, pós graduado em marketing e gestão de pessoas.