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Há mais de 45 anos, tradição mantém viva a reza de São Domingo no alto da serra em Goiatins Mesmo após o falecimento de seu idealizador, peregrinação religiosa segue firme como expressão de fé, memória e cultura familiar

Fé Popular

JAVAN QUIXABEIRA
Por: JAVAN QUIXABEIRA Fonte: Redação/ Notícia Tocantins
06/08/2025 às 20h43 Atualizada em 06/08/2025 às 21h47
Há mais de 45 anos, tradição mantém viva a reza de São Domingo no alto da serra em Goiatins Mesmo após o falecimento de seu idealizador, peregrinação religiosa segue firme como expressão de fé, memória e cultura familiar
Fiéis reunidos no topo da Serra de São Domingo durante a reza tradicional. Foto: Acervo da família Ferreira.

 

Uma tradição que atravessa gerações a mais de quatro décadas de história continua mobilizando fiéis na zona rural de Goiatins. Na última segunda-feira, 4 de agosto, foi realizada mais uma edição da tradicional subida à Serra de São Domingo, para a reza em homenagem ao santo que dá nome ao local.

O movimento religioso, que já acontece há mais de 45 anos, teve início com o senhor Adoniel Ferreira da Cruz, o saudoso “Santo da Maricô”. Devoto fervoroso, ele fez a promessa de realizar todos os anos a reza no topo da serra enquanto tivesse vida. Assim nasceu um dos eventos mais marcantes da religiosidade popular da região.

Na época em que Santo da Maricô liderava a celebração, o evento era um verdadeiro festejo: duas noites de festa com zabumba, sanfona, triângulo e lamparinas iluminando o salão. Na madrugada do dia 4 de agosto, às 4h30 da madrugada, familiares, vizinhos e fiéis de outras cidades se reuniam no terreiro da casa e seguiam em peregrinação até o pé da serra – alguns montados a cavalo, outros a pé.

Às 5h30, todos iniciavam a subida íngreme, marcada por forte ventania e trechos de risco, mas também por muita fé e emoção. Pais carregando filhos nos ombros, foguetes no céu e cantos de devoção marcavam o caminho até o topo, onde era realizada a tradicional reza de São Domingo.

Por volta das 7h da manhã, começava o retorno para casa, onde a reza seguia até o meio-dia, encerrando com um grande almoço comunitário. À tarde, a festa continuava com partidas de futebol e, à noite, o forró raiz embalava os presentes até o amanhecer.

Mesmo após o falecimento de seu idealizador, em 3 de março de 2023, a promessa se mantém viva. Santo da Maricô, que faleceu após sofrer um AVC e enfrentar problemas de coluna, deixou sua esposa Virgulina, oito filhos (um in memoriam, Pedro Ferreira), 19 netos e 6 bisnetos. E são eles, junto com amigos e moradores da região, que seguem cumprindo a tradição com fé e respeito à memória do patriarca.

Patriarca e idealizador da reza na Serra de São Domingo, Adoniel Ferreira da Cruz, o “Santo da Maricô” (†03/03/2023).
Foto: Acervo da família Ferreira

 

Atualmente, embora a grande festa não aconteça mais como antes, a reza no alto da serra permanece firme e acontece anualmente, na mesma data: 4 de agosto. Uma expressão de resistência cultural e espiritual, que prova que, mesmo com o tempo e as mudanças, a fé continua sendo o elo que une passado, presente e futuro.

Por Javan Quixabeira – Site Notícia Tocantins

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