
A secretária municipal de Educação de Palmas, vereadora licenciada Débora Guedes (PODEMOS), revelou, na noite desta terça-feira, 1º de abril, por meio de publicações em seu perfil no Instagram, a existência de contratos ilegais e o desvio de recursos federais destinados à construção de Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) na gestão anterior. As declarações foram feitas enquanto a secretária cumpre agenda oficial em Brasília e ocorrem em meio às informações sobre a alteração no funcionamento da Escola de Tempo Integral (ETI) Anísio Spínola Teixeira, localizada na Avenida Antônio Sampaio, no Setor Bertaville, região sul de Palmas.
Em sua publicação, Débora Guedes afirmou que está na capital federal em busca de recursos para a construção emergencial do Centro de Educação Inclusiva. O assunto ganhou destaque após servidores da Escola de Tempo Integral Anísio Spínola Teixeira emitirem um comunicado aos pais dos alunos, informando que, a partir desta quarta-feira, 2, não haveria aulas normais devido à falta de profissionais suficientes para manter o funcionamento adequado da unidade escolar.
Comunicado da escola:
"Informamos que o Colegiado da Unidade Escolar, após uma análise detalhada da situação atual da escola, tomou a decisão de alterar o funcionamento da unidade a partir de 2 de abril.
Devido às inconformidades apresentadas, como a falta de servidores e turmas sem atendimento, que geram um impacto negativo na aprendizagem dos nossos alunos, decidimos que a escola atenderá parcialmente até às 12h.
Essa decisão foi tomada com o objetivo de garantir a qualidade da educação oferecida aos nossos alunos e evitar prejuízos adicionais à sua formação.
Pedimos desculpas por qualquer inconveniente que essa mudança possa causar e agradecemos a compreensão e apoio dos pais e responsáveis."
Em suas publicações, a secretária afirmou que, ao assumir a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) na atual gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos (PODEMOS), constatou uma série de irregularidades, incluindo contratos ilegais e o uso indevido de verbas federais que deveriam ser destinadas à construção de unidades de educação infantil durante a gestão da ex-prefeita Cinthia Ribeiro Mantoan. Débora Guedes também destacou a presença de Microempreendedores Individuais (MEIs) atuando de forma irregular dentro das escolas municipais.
Outro ponto preocupante revelado pela gestora foi o déficit de profissionais na educação municipal. Segundo ela, em 2024, a rede de ensino chegou a operar com uma carência de mais de 600 servidores, impactando diretamente a qualidade dos serviços prestados aos alunos. No entanto, a secretária afirmou que esse cenário já foi revertido e que a realidade da SEMED hoje é diferente.
As informações sobre desvio de recursos federais e a existência de contratos ilegais, divulgadas pela secretária, acendem um alerta sobre a necessidade de fiscalização dos recursos públicos destinados à educação e reforçam o debate sobre a transparência na gestão escolar.
A reportagem solicitou um posicionamento oficial da SEMED sobre as afirmações da atual ordenadora de despesas da pasta e sobre eventuais medidas a serem tomadas em relação aos contratos suspeitos e ao uso indevido das verbas federais, e aguarda retorno.
A equipe de reportagem segue acompanhando o caso e aguarda manifestação de órgãos fiscalizadores sobre as denúncias feitas pela secretária