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2º Festejo de Iemanjá reafirma união e combate à intolerância religiosa em Palmas

Com homenagens à Rainha do Mar, a celebração reuniu povos de terreiro, autoridades e admiradores, promovendo cultura, respeito e liberdade religiosa na Praia da Graciosa

JAVAN QUIXABEIRA
Por: JAVAN QUIXABEIRA Fonte: Governo Tocantins
24/02/2025 às 16h02
2º Festejo de Iemanjá reafirma união e combate à intolerância religiosa em Palmas
“Odoyá!” - gritavam os devotos que se reuniram na beira do Lago de Palmas para agradecer e renovar seus pedidos à Rainha das Águas.

 

Em um encontro aberto ao público, em referência ao Dia de Iemanjá, celebrado a cada 2 de fevereiro, a Praia da Graciosa foi tomada por fé e devoção durante o 2º Festejo de Iemanjá, na manhã deste domingo, 23, em Palmas, em uma celebração e manifestação religiosa e cultural organizada pela Associação das Casas de Culto Afro-brasileiras do Tocantins (Afeccamto) e Ilè de Odé e Oyá, em parceria com a Prefeitura de Palmas. Em um momento de acolhimento e confraternização, o evento reuniu povos de terreiros de todo estado do Tocantins, autoridades, devotos e admiradores de Odoyá, conhecida como rainha das águas e mãe dos orixás nas religiões de matriz africana. A programação contou ainda com uma apresentação do projeto “Som da nossa fé”, contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

Com raízes ancestrais, o encontro também marca o enfrentamento à intolerância e ao racismo religioso, além de propagar a cultura e a tradição dos povos de terreiro e das religiões de matrizes africanas, além de promover respeito à diversidade e à liberdade de culto.

Após a carreata que saiu da casa do Pai Willian de Odé, a concentração começou por volta das 8h, em tendas montadas para receber os visitantes. Trajadas de brancos, as pessoas marcaram presença e participaram da programação que contou com giras, cantos e banho de pipoca, onde aconteceram os rituais e a entrega de presentes à Iemanjá. O evento também celebrou a união com duas importantes lideranças religiosas: a Agba Iyalorixá Clara de Oyá, vinda de São Paulo, e a Iyalorixá Mariana de Ayra, de Valparaíso, que representa a casa matriz Ilè Oxumare Ase Ogodo, de Salvador.

Flores, perfumes e preces foram entregues às águas do Lago de Palmas. As oferendas previamente sacralizadas nos rituais do Candomblé foram levadas ao leito do Rio Tocantins como um gesto de devoção a Iemanjá e Oxum em conexão espiritual e ancestral com as águas sagradas. “A família de Santo se uniu com todas as outras casas de Candomblé, de Umbanda, Terecô, do Molocó, Quimbanda, Jurema Sagrada e a maioria das raízes das vertentes das religiões de matriz africana tinham seus representantes aqui na festa de Oxum e de Iemanjá. E é muito importante para cultura tocantinense, porque o Tocantins tem a maioria da sua população de povo preto e pardo para reafirmar toda uma cultura ancestral para o povo de terreiro do estado”, disse o Balorixá William.

O presidente do Conselho Estadual de Políticas Culturais (CPC-TO), Elpídio de Paula, destacou que o Tocantins é “entranhado pela cultura afro do povo quilombola, do povo de terreiro, que está muito presente. Vemos aqui a força da nossa cultura negra. Aqui está a raiz, a herança cultural e tradicional do nosso povo”, destacou. 

A partilha entre irmãos de fé, que permite a troca de saberes e a mobilização político-social, em espaços públicos da capital é de suma importância para a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Tocantins, Cejane Pacini. “É importante que eles se encontrem e aconteçam essas manifestações culturais que fazem parte da cultura, e ao mesmo tempo no contexto de Palmas é interessante ver a ocupação dos espaços públicos e à medida que é possível ter acesso a esses espaços assim como todas as religiões. Também para as pessoas conhecerem a cultura e combater a intolerância religiosa”, declarou. 

A carioca Paula Mendes, ao lado de seu marido Anderson Luiz, levou a filha Ana Laura – que recém completou 1 ano neste sábado, 22, – para manifestar seu axé. Paula contou que na primeira edição do festejo, em 2024, estava na maternidade após o nascimento da filha, mas o esposo não deixou de participar para agradecer Iemanjá. Agora, já com um ano e batizada na Umbanda, Ana Laura dançava no colo de seus pais e estava com os olhos atentos a tudo. “De onde vimos era muito comum ver esses encontros de axé em praias. Há quase cinco anos morando em Palmas nunca tinha visto algo parecido. Ano passado meu esposo veio e me contou como estava sendo aceito e respeitado. Encontrar pessoas que compartilham a mesma fé que a gente, nos dá sensação de comunidade e pertencimento”, compartilhou Paula. 

PNAB: Som da nossa fé

Contemplado no valor de R$15.000,00, no edital lançado pelo Governo do Tocantins, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), na categoria Cultura Tradicional, o projeto “Som da nossa fé” se apresentou pela primeira vez no 2º Festejo de Iemanjá. Voltados para os povos de terreiro e com duração de dez meses, a iniciativa busca capacitar cerca de dez alunos para tocar atabaque. Na manhã deste domingo, a proponente e professora Amanda Braz estava no comando do instrumento, ao lado da irmã de santo e cantora Ana Karolina Ferreira e do aluno Pedro Cordeiro. 

“Nós temos pessoas capacitadas para tocar ritmos de umbanda, de candomblé, de fazer batuques e de interagir, agregar, harmonizar a comunidade. A nossa proposta é de juntar todo mundo tocando, todo mundo levando axé e fazendo o que ama”, enfatizou a professora. “Aqui é um momento, um local, um evento, onde a gente pode se conhecer e mostrar para a comunidade, professar a nossa fé e mostrar que o que a gente faz é amor, é culto à cultura, à natureza, à ancestralidade e à nossa força dentro do mundo”, completou Ana. 

É muito gratificante fazer parte dessa linda cultura que participamos. Então, é só glória, axé!", finalizou o ogan Pedro.

Fiéis agradecendo perante à figura da representação de Iemanjá 
 
Oferendas são entregues ao Lago de Palmas em homenagem a Iemanjá e Oxum, em um ato de fé e conexão espiritual 
 
Evento ocorreu neste domingo, 23, na Praia da Graciosa, em Palmas 
 
O som dos atabaques ecoaram pela Praia da Graciosa, com projeto contemplado pela PNAB
 
Lideranças religiosas de várias regiões do Brasil marcam presença no 2º Festejo de Iemanjá em Palmas
 
Cejane Pacini (Iphan) e Elpídio de Paula (CPC-TO) prestigiaram o evento 
 
Banho de pipoca como um ritual de limpeza espiritual, reafirmando a força e a ancestralidade dos povos de terreiro 
 
Barcos saíram em direção ao meio do Lago de Palmas para ofertar os presentes à Iemanjá 
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