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Ex-governador Mauro Carlesse é condenado e tem direitos políticos cassados por usar bloqueador de sinais no Palácio Araguaia

Equipamento foi encontrado durante operação da Polícia Federal em cima da mesa no gabinete. Ele terá que pagar multas e não poderá ocupar função pública por mais de dois anos; cabe recurso.

JAVAN QUIXABEIRA
Por: JAVAN QUIXABEIRA Fonte: G1 TOCANTINS
27/07/2023 às 10h00
Ex-governador Mauro Carlesse é condenado e tem direitos políticos cassados por usar bloqueador de sinais no Palácio Araguaia
Mauro Carlesse, Foto-Divulgação

 

O ex-governador Mauro Carlesse (Agir) foi condenado a não ocupar cargo público por mais de dois anos e pagamento de multa por usar um bloqueador de sinais no próprio gabinete enquanto estava à frente do governo do Tocantins. A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

A sentença do juiz federal Adelmar Aires Pimenta da Silva, da 4ª Vara Federal, condenou o ex-governador pelo crime de desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação.

A pena inicialmente foi fixada em 2 anos e quatro meses de prisão, mas acabou sendo substituída pelo pagamento de dez salários mínimos e proibição de exercer cargo, função e atividade pública pelo mesmo período.

O governador também deverá pagar mais R$ 89,7 mil de multa.

O advogado Juvenal Keyber, que representa Mauro Carlesse, afirmou que “as provas produzidas em audiência de instrução deixaram claro que o aparelho já estava no gabinete quando assumiu o governo do estado. Ficou provado pelas testemunhas que o aparelho não era usado. A própria PF admitiu quero aparelho não estava funcionando quando da busca e apreensão. Portanto, respeitamos a decisão, mas recorreremos”.

EM CIMA DA MESA 

O aparelho bloqueador de sinais, conhecido como jammer, foi encontrado em cima da mesa do governador, no gabinete principal do Palácio Araguaia. A apreensão aconteceu no dia 14 de junho de 2018 - meses após ele assumir o governo para o mandato-tampão.

A apreensão aconteceu durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão autorizada para uma investigação eleitoral que apurava liberação irregular de emendas às vésperas da eleição.

A Polícia Federal apurou que além de não ter autorização, o aparelho era clandestino e não possuía homologação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo a legislação, todos os equipamentos do tipo devem ser certificados e seu uso é restrito a estabelecimentos penitenciários e eventos que necessitam de elevado grau de segurança.

Outro elemento que contribuiu com as provas de que Carlesse usava o bloqueador, segundo a decisão, é que pouco depois da apreensão do aparelho o então secretário-chefe da Casa Militar emitiu uma portaria proibindo a entrada de pessoas portando celulares ou dispositivos eletrônicos no gabinete.

A defesa de Carlesse chegou a alegar que o equipamento tinha sido deixado pelo governador anterior e que não utilizava, mas os argumentos não foram aceitos, pois as testemunhas eram diretamente subordinadas ao então governador.

“Portanto, no caso em apreço, observa-se a existência de uma pluralidade de elementos indiciários que, somados e justapostos, conduzem à conclusão de que houve a atuação dolosa do acusado na prática da mencionada infração penal”, diz a decisão.

OPERAÇÕES, IMPEACHMENT E RENÚNCIA 

O governo de Carlesse foi marcado por projetos polêmicos como a tentativa de fazer a concessão do Parque Estadual do Jalapão e investigações de esquemas de corrupção.

Carlesse acabou sendo afastado do cargo em outubro de 2021 após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em meio a um duas operações da Polícia Federal. Ele é investigado por montar um grupo de espionagem na Secretaria de Segurança Pública, interferir na Polícia Civil e mandar forjar um falso flagrante.

A outra investigação apura um suposto esquema de propina envolvendo o Plano de Assistência à Saúde dos Servidores do Tocantins (PlanSaúde). Em ambos os casos Carlesse virou réu e responde a ações criminais.

As investigações também início a um processo de impeachment na Assembleia Legislativa. O tema foi aprovado em primeiro turno na AL e antes da segunda votação Carlesse renunciou ao cargo.

 

 

 

 

 

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