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Ana Mumbuca leva a voz do Quilombo Mumbuca ao Encontro Regional Centro-Norte

Quilombola do Jalapão defende a ancestralidade como fundamento das políticas públicas de cultura.

JAVAN QUIXABEIRA
Por: JAVAN QUIXABEIRA Fonte: Por Rodrigo Martins
07/07/2026 às 09h46 Atualizada em 07/07/2026 às 10h08
Ana Mumbuca leva a voz do Quilombo Mumbuca ao Encontro Regional Centro-Norte
Personalidade quilombola falou sobre liberdade e superação.

Os saberes dos povos e comunidades tradicionais como caminho para fortalecer as políticas públicas de cultura marcaram a palestra magna da poetisa, escritora e artesã, Ana Mumbuca, realizada na última quinta-feira (2), durante o Encontro Regional Centro-Norte do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, em Palmas. Integrante do Quilombo Mumbuca, localizado no Jalapão tocantinense, a palestrante conduziu uma reflexão sobre ancestralidade, diversidade cultural e a importância dos territórios na construção de políticas públicas mais conectadas com a realidade brasileira.

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Territórios como espaços de conhecimento
Com o tema “Os Territórios Ensinam: ancestralidade, diversidade cultural e a reinvenção das políticas públicas”, Ana Mumbuca defendeu que os conhecimentos produzidos pelas comunidades tradicionais devem ocupar espaço central na formulação das políticas culturais. Para ela, os territórios guardam formas de organização, convivência e cuidado capazes de inspirar um novo olhar sobre o desenvolvimento e a democracia.

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Durante a palestra, Ana ressignificou o conceito de quilombo ao afirmar que esses espaços representam liberdade, resistência e construção coletiva. “Quilombo é significado de liberdade e não de escravidão”, afirmou ao destacar que as comunidades tradicionais carregam conhecimentos que atravessam gerações e permanecem vivos por meio da cultura e da convivência com o território.

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Cultura como modo de vida
Ao compartilhar experiências do Quilombo Mumbuca, Ana explicou que, para sua comunidade, cultura vai além das manifestações artísticas e está presente no modo de viver, na relação com a natureza e na transmissão dos saberes entre as gerações. Segundo ela, a água, os pássaros, a terra, a lua e as estrelas também ensinam sobre pertencimento, cuidado e permanência.

“Para nós, cultura é modo de vida”, afirmou, ao defender que esses conhecimentos sejam considerados na formulação das políticas públicas voltadas aos territórios.

Desafios para as políticas públicas
A palestrante também chamou atenção para os impactos das mudanças climáticas sobre os modos de vida das comunidades tradicionais e defendeu que os conhecimentos ancestrais podem contribuir para enfrentar os desafios ambientais contemporâneos. Em sua avaliação, ouvir os territórios é uma necessidade para construir políticas públicas capazes de dialogar com a diversidade cultural e com as diferentes realidades do país.

Ao refletir sobre o papel do Estado, Ana Mumbuca destacou que instrumentos como o Sistema Nacional de Cultura representam avanços importantes, mas ressaltou que sua efetividade depende da capacidade de incorporar os saberes das comunidades e fortalecer a participação social.

Diversidade fortalece a democracia
Ao encerrar a palestra, a quilombola afirmou que as políticas públicas somente alcançarão sua plenitude quando reconhecerem a diversidade cultural brasileira como elemento estruturante da democracia. “As políticas públicas só vão ser eficientes na sua plenitude quando pensarem como o povo pensa, respeitando a diversidade e todas as formas de vida”, destacou.

A palestra integrou a programação do Encontro Regional Centro-Norte do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, realizado pelo Ministério da Cultura em parceria com o Comitê de Cultura no Tocantins. O evento reúne representantes de 11 estados das regiões Norte e Centro-Oeste para discutir estratégias de fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura, da participação social e das políticas públicas voltadas aos territórios.

Texto:  Rodrigo Martins

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