
A Polícia Civil do Tocantins, por intermédio da 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª DEIC – Palmas), deflagrou, na manhã desta sexta-feira, 24, a Operação Nêmesis, com o objetivo de dar cumprimento a quatro mandados de prisão preventiva, seis mandados de busca e apreensão e três mandados de suspensão de funções públicas.
Ao todo, 13 ordens judiciais foram autorizadas pelo juiz de garantias Milton Lamenha, no âmbito da investigação que apura a atuação de uma associação criminosa armada voltada à cobrança ilegal de dívidas, com a prática de crimes como usura pecuniária, extorsão qualificada e associação criminosa.
As investigações apontam que um empresário, de 45 anos, e sua mãe, de 65 anos, estão entre as vítimas do grupo, que utilizava ameaças e intimidações para forçar o pagamento de empréstimos com juros abusivos. A idosa chegou a ser ameaçada de perder seu estabelecimento comercial caso a dívida não fosse quitada.
Conforme apurado, os fatos tiveram início no município de Guaraí, onde a vítima contraiu dívida com um homem acusado de agiotagem. Segundo a Polícia Civil, o grupo criminoso atuava diretamente para esse agiota, realizando cobranças mediante violência e intimidação.
Ao longo de mais de dois anos, foram impostos juros mensais elevados, que chegaram a R$ 4 mil, resultando no acúmulo de valores expressivos e na impossibilidade de quitação do débito. Mesmo após a venda do estabelecimento comercial da vítima em Guaraí, a dívida não foi considerada quitada.
Já em Palmas, onde o empresário passou a residir e abriu novo comércio, o grupo intensificou as cobranças. No dia 25 de fevereiro de 2026, o estabelecimento foi invadido por indivíduos que, mediante grave ameaça, exigiam o pagamento dos valores.
As investigações revelaram que as intimidações com uso de arma de fogo foram realizadas por dois policiais militares e um policial penal que atuam na cidade. O grupo utilizava armamentos das próprias corporações — Polícia Militar e Polícia Penal — para constranger as vítimas.
Diante da gravidade dos fatos, o juiz determinou a prisão preventiva dos policiais envolvidos, o afastamento de suas funções públicas, bem como o recolhimento de suas armas institucionais. Também foi decretada a prisão do homem apontado como agiota.
A investigação também identificou que os suspeitos se utilizavam de suas funções para constranger as vítimas, inclusive com simulação de registro de ocorrência policial para pressionar o pagamento das dívidas.
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão inclusive no quartel da Polícia Militar de Guaraí. As buscas foram realizadas nos armários dos policiais nas unidades, uma vez que, segundo as investigações, o grupo utilizava a estrutura estatal para realizar cobranças ilegais.
“O trabalho investigativo demonstrou a atuação estruturada e reiterada desse grupo, que utilizava ameaças, intimidação e até da condição funcional de alguns integrantes para constranger as vítimas e obter vantagem ilícita. A operação representa uma resposta firme da Polícia Civil contra práticas criminosas que violam a dignidade e a segurança das pessoas”, destacou o delegado responsável, Wanderson Chaves de Queiroz.
Diante dos elementos colhidos, que incluem registros audiovisuais e mensagens, o Poder Judiciário decretou as prisões preventivas considerando o risco à ordem pública e à instrução criminal. Os envolvidos não tiveram as identidades reveladas.
A ação contou com apoio da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), da Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (DENARC), da 6ª DEIC, da Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT) e do Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE).
As investigações seguem em andamento para identificação de outros possíveis envolvidos no esquema criminoso.