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Polícia Civil deflagra operação contra facção criminosa na região sul da capital

Ação mira desarticulação de células envolvidas em tortura e “tribunal do crime” no setor Recanto das Araras I

JAVAN QUIXABEIRA
Por: JAVAN QUIXABEIRA Fonte: Redação | Noticia Tocantins
27/01/2026 às 19h21
Polícia Civil deflagra operação contra facção criminosa na região sul da capital
Operação foi deflagrada na região sul de Palmas - Foto: Divulgação PCTO

Com o objetivo de desarticular células de uma organização criminosa atuante em Palmas, a Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), uma operação no setor Recanto das Araras I, região sul da Capital. A ação resultou no cumprimento de três mandados de busca e apreensão e na prisão em flagrante de um indivíduo pelo crime de receptação.

A operação foi coordenada pela Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC – Palmas), com apoio da Diretoria de Repressão ao Crime Organizado (DRACCO) e do Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE). O foco principal foi o combate ao chamado “tribunal do crime”, prática em que integrantes de facções criminosas aplicam punições violentas à população, à margem da lei.

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De acordo com a Polícia Civil, o inquérito que fundamentou a ofensiva teve início após um crime registrado em fevereiro de 2025. Na ocasião, duas mulheres foram atraídas para uma emboscada e sofreram agressões severas em uma residência utilizada como base da facção. A motivação teria sido a acusação de furto de um aparelho celular, considerada uma violação às “regras” impostas pelo grupo criminoso.

As investigações apontam que as vítimas foram submetidas a sessões de tortura e “disciplina”, sofrendo graves ferimentos. Os autores teriam, inclusive, gravado as agressões para prestar contas às lideranças da facção, identificada como de origem paulista.

Durante as diligências desta terça-feira, equipes da DRACCO, DEIC e GOTE cumpriram mandados em endereços considerados estratégicos para a organização criminosa. Em um dos locais, um homem foi preso em flagrante por receptação.

A apuração revela ainda uma estrutura hierárquica entre os investigados. A.J.G.S., de 29 anos, e A.J.J.S., de 31 anos, seriam responsáveis por funções de liderança, atuando como “disciplinas” ou “cabeças” da facção. Já P.H., de 26 anos, e Í.S., de 23 anos, exerceriam o papel de membros iniciados, encarregados de aplicar a chamada “correção paralela” contra pessoas que descumprem as normas internas do grupo.

Segundo a Polícia Civil, esse modo de atuação é típico de organizações criminosas estruturadas e representa uma afronta direta ao Estado Democrático de Direito.

O delegado-chefe da DEIC – Palmas, Wanderson Queiroz, destacou que a operação reforça o compromisso da Polícia Civil do Tocantins no enfrentamento ao crime organizado. “A PCTO mantém uma política de tolerância zero contra qualquer tentativa de estabelecimento de um ‘Estado paralelo’ em território tocantinense”, afirmou.

O delegado também enfatizou que o trabalho de repressão é permanente. “A repressão não é eventual, mas constante e sistemática. A Polícia Civil atua de forma integrada para garantir que o monopólio da justiça permaneça com o Estado. Não permitiremos que facções criminosas intimidem a população ou imponham suas próprias leis”, pontuou.

Ainda conforme Wanderson Queiroz, a atuação conjunta da DRACCO e da DEIC nos bairros da Capital busca não apenas efetuar prisões, mas também enfraquecer a estrutura logística e financeira que sustenta essas organizações criminosas.

As equipes seguem em diligências para localizar outros suspeitos envolvidos. Eles deverão ser interrogados, e o inquérito policial deve ser concluído nos próximos dias.

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