O retorno às aulas representa um período importante de readaptação para crianças e adolescentes, especialmente após o recesso escolar, quando a rotina tende a se tornar menos estruturada. Durante as férias, é comum o aumento do tempo de exposição às telas e a redução das interações sociais presenciais, fatores que podem tornar a volta ao ambiente escolar mais sensível do ponto de vista emocional.
O contraste entre a liberdade do período de descanso — muitas vezes marcada por longas horas em dispositivos digitais — e a retomada das atividades escolares pode provocar estranhamento, insegurança e ansiedade. Essa situação é ainda mais perceptível entre crianças e jovens que enfrentam dificuldades para retomar vínculos sociais, lidar com expectativas acadêmicas e reorganizar hábitos.
"A ansiedade, nesse momento, está frequentemente associada ao receio com o desempenho escolar, às relações interpessoais e à dificuldade de lidar com expectativas quanto ao novo contexto que vão vivenciar, o que torna o retorno à rotina escolar um processo mais delicado", explica Katia Chedid, líder do Departamento de Governança Educacional da Fundação Bradesco.
Pesquisas realizadas pela British Standards Institution, órgão nacional de normas do Reino Unido, apontam que 47% dos jovens entre 16 e 21 anos afirmam que um toque de recolher nas redes sociais melhoraria suas vidas. Para Katia, saúde mental e aprendizagem caminham juntas. "A saúde socioemocional é um pilar fundamental para a aprendizagem. Alunos emocionalmente acolhidos conseguem lidar melhor com desafios, desenvolver autoconfiança, ter autonomia, além de manter maior concentração em sala de aula e o engajamento escolar", destaca.
Dados do Relatório Saúde Mental em Dados, do Ministério da Saúde, revelam que, na última década, os atendimentos em saúde mental cresceram quase 2.500%, chegando a 3.300% entre jovens de 15 a 19 anos, reforçando a importância do cuidado emocional nesse período de retorno às aulas.
O fortalecimento do convívio coletivo e o apoio familiar são apontados como fundamentais nesse processo de readaptação. Com esse objetivo, a Fundação Bradesco desenvolve, a cada ciclo de volta às aulas, ações ao longo de aproximadamente um mês para reduzir os impactos da retomada da rotina escolar.
Segundo Katia, o acolhimento no ambiente educacional é essencial para esse processo. "Nas escolas da Fundação Bradesco, a volta às aulas inclui um mês de acolhimento, com atividades, livros e estratégias que promovem pertencimento e retomam as interações reais, em parceria com as famílias dos alunos", ressalta.
