
A corrida pelo Palácio Araguaia, que parecia caminhar para um cenário de múltiplos protagonistas, já começa a revelar seus primeiros sinais de esvaziamento. Em meio a tantos nomes colocados como pré-candidatos ao Governo do Tocantins, a política mostra, mais uma vez, que nem todos resistem à pressão do percurso. E o primeiro a sair da disputa é justamente um nome de peso: o ex-governador Mauro Carlesse.
Carlesse, que por diversas vezes afirmou publicamente que seria candidato ao governo estadual, decidiu mudar o rumo. Após deixar o partido Agir, filiou-se ao PSD, legenda comandada no estado pelo vice-governador Laurez Moreira, e anunciou oficialmente que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados, abandonando o projeto de retornar ao comando do Executivo estadual.
O movimento não chega a surpreender quem acompanha de perto os bastidores da política tocantinense. Em períodos de pré-campanha, é comum ver uma enxurrada de nomes colocados “à disposição”, muitos mais por estratégia do que por convicção. Vale a lógica do famoso “vai que cola”: se a candidatura ao governo não se sustenta, tenta-se o Senado; se não houver espaço, busca-se a vice; e, como plano alternativo, a Câmara Federal. Foi exatamente esse o caminho seguido por Carlesse.
A pré-campanha no Tocantins segue marcada por intensas articulações, discursos inflamados e movimentações calculadas. Mas a realidade é simples: pré-candidatos são muitos; candidatos de fato, ainda são poucos. As definições reais só virão após as convenções partidárias, quando os projetos serão colocados à prova e os apoios, oficialmente consolidados.
Até lá, o jogo segue aberto. Mas uma coisa já ficou clara: o processo de seleção natural da política começou. E, como diz o velho ditado — tão atual quanto verdadeiro — está chegando a hora de separar os homens dos meninos.
Por Javan Quixabeira