Palmas (TO), 3 de setembro de 2025 – Em um desdobramento significativo da Operação Fames-19, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou, nesta quarta-feira (3), o afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) por seis meses. A decisão está sendo cumprida em conjunto com a Polícia Federal (PF) e marca a segunda fase da investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19.
Com a decisão efetiva, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) assume de imediato as funções no Palácio Araguaia, iniciando sua gestão em meio a esse novo capítulo da investigação.
A PF mobilizou mais de 200 agentes para cumprir 51 mandados de busca e apreensão não apenas no Tocantins, mas também no Distrito Federal, além de cidades como Araguaína (TO), Imperatriz (MA) e João Pessoa (PB). A operação visa reunir evidências sobre o uso de emendas parlamentares e possíveis vantagens indevidas recebidas por agentes públicos e políticos.
Os contratos sob suspeita somam mais de R$ 97 milhões, com um prejuízo estimado em R$ 73 milhões aos cofres públicos. Há indícios de que os valores desviados foram ocultados por meio da construção de empreendimentos de luxo, compra de gado, e despesas pessoais dos envolvidos.
As investigações tramitam sob sigilo no STJ e apontam que, entre 2020 e 2021, agentes teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública e assistência social para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas e materiais correlatos.
Em nota, Wanderlei Barbosa afirmou que respeita a decisão, mas a considera “precipitada”. Ele ressaltou que, no período investigado, era vice-governador e não o ordenador das despesas, e que acionará meios jurídicos para reassumir o cargo e comprovar a legalidade de seus atos.
A Operação Fames-19 foi inicialmente deflagrada em agosto de 2024, quando foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em vários endereços, entre eles do então vice-governador, também alvo da investigação. A operação visa apurar irregularidades nas contratações emergenciais de empresas para o fornecimento de cestas básicas, que teriam recebido pagamentos integrais, mas entregue parte do acordado.