Uma tradição que atravessa gerações a mais de quatro décadas de história continua mobilizando fiéis na zona rural de Goiatins. Na última segunda-feira, 4 de agosto, foi realizada mais uma edição da tradicional subida à Serra de São Domingo, para a reza em homenagem ao santo que dá nome ao local.
O movimento religioso, que já acontece há mais de 45 anos, teve início com o senhor Adoniel Ferreira da Cruz, o saudoso “Santo da Maricô”. Devoto fervoroso, ele fez a promessa de realizar todos os anos a reza no topo da serra enquanto tivesse vida. Assim nasceu um dos eventos mais marcantes da religiosidade popular da região.
Na época em que Santo da Maricô liderava a celebração, o evento era um verdadeiro festejo: duas noites de festa com zabumba, sanfona, triângulo e lamparinas iluminando o salão. Na madrugada do dia 4 de agosto, às 4h30 da madrugada, familiares, vizinhos e fiéis de outras cidades se reuniam no terreiro da casa e seguiam em peregrinação até o pé da serra – alguns montados a cavalo, outros a pé.
Às 5h30, todos iniciavam a subida íngreme, marcada por forte ventania e trechos de risco, mas também por muita fé e emoção. Pais carregando filhos nos ombros, foguetes no céu e cantos de devoção marcavam o caminho até o topo, onde era realizada a tradicional reza de São Domingo.
Por volta das 7h da manhã, começava o retorno para casa, onde a reza seguia até o meio-dia, encerrando com um grande almoço comunitário. À tarde, a festa continuava com partidas de futebol e, à noite, o forró raiz embalava os presentes até o amanhecer.
Mesmo após o falecimento de seu idealizador, em 3 de março de 2023, a promessa se mantém viva. Santo da Maricô, que faleceu após sofrer um AVC e enfrentar problemas de coluna, deixou sua esposa Virgulina, oito filhos (um in memoriam, Pedro Ferreira), 19 netos e 6 bisnetos. E são eles, junto com amigos e moradores da região, que seguem cumprindo a tradição com fé e respeito à memória do patriarca.
Atualmente, embora a grande festa não aconteça mais como antes, a reza no alto da serra permanece firme e acontece anualmente, na mesma data: 4 de agosto. Uma expressão de resistência cultural e espiritual, que prova que, mesmo com o tempo e as mudanças, a fé continua sendo o elo que une passado, presente e futuro.
Por Javan Quixabeira – Site Notícia Tocantins