Cidades Prisão Domiciliar
STF concede prisão domiciliar a Eduardo Siqueira Campos após infarto; prefeito afastado passou por cirurgia de urgência
A Polícia Militar informou, em nota, que já deu cumprimento à decisão judicial e adotou as providências cabíveis dentro de suas atribuições.
08/07/2025 21h58 Atualizada há 1 ano
Por: JAVAN QUIXABEIRA Fonte: Redação/ Agência Tocantins
Eduardo Siqueira Campos, prefeito afastado de Palmas — Foto: Edu Fortes/Prefeitura de Palmas

 

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta terça-feira (8) prisão domiciliar ao prefeito afastado de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), que estava preso desde 27 de junho no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar. A decisão ocorre após o político sofrer um infarto agudo do miocárdio e ser submetido a uma cirurgia de urgência no Hospital Geral de Palmas (HGP).

Segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Eduardo foi socorrido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) após apresentar um quadro súbito de angina instável de alto risco — com dor torácica intensa, náuseas, sudorese e mal-estar geral. O cateterismo revelou uma obstrução grave na artéria principal do coração, sendo necessária uma angioplastia com implante de stent para restaurar o fluxo sanguíneo.

De acordo com o ministro Zanin, a concessão da prisão domiciliar levou em consideração o estado de saúde do investigado, com base em pareceres médicos já anexados ao processo antes mesmo da internação. A Procuradoria-Geral da República emitiu parecer favorável à medida. No entanto, permanecem válidas as medidas cautelares já impostas: afastamento da função pública, proibição de contato com outros investigados e impedimento de deixar o país.

A Polícia Militar informou, em nota, que já deu cumprimento à decisão judicial e adotou as providências cabíveis dentro de suas atribuições.

Defesa pede revogação da prisão preventiva

O advogado Juvenal Klayber, que representa Eduardo Siqueira Campos, afirmou que a próxima etapa da defesa será tentar revogar o decreto de prisão preventiva. “A decisão do STF reconhece que o estado de saúde do prefeito é incompatível com a custódia atual. Agora vamos trabalhar pela liberdade plena”, declarou.

Operação Sisamnes

Eduardo foi preso durante uma nova fase da operação Sisamnes, da Polícia Federal, que investiga o vazamento de informações sigilosas relacionadas a processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Outros dois investigados — o advogado Antônio Ianowich Filho e o policial civil Marco Augusto Velasco Nascimento Albernaz — também foram presos na mesma operação, mas não tiveram os pedidos de prisão domiciliar acatados pelo STF.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apuram a existência de uma organização criminosa que atuava clandestinamente no monitoramento, comércio e repasse de dados sigilosos com possível impacto direto em operações da corporação. O inquérito corre sob sigilo e ainda não foram divulgadas as ligações específicas entre os investigados.

A Prefeitura de Palmas afirmou que as investigações não estão relacionadas à atual gestão e que o prefeito afastado recebeu a decisão judicial com serenidade, estando disposto a colaborar com a Justiça.

Prefeito interino convoca orações

O prefeito em exercício, Carlos Velozo (Agir), acompanha a evolução do quadro clínico de Eduardo e divulgou nota conclamando a população palmense a se unir em orações. "Com fé e serenidade, esperamos pela pronta recuperação do prefeito Eduardo Siqueira Campos", afirmou.

Quadro de saúde estável

Segundo o boletim médico mais recente, Eduardo encontra-se estável, consciente e hemodinamicamente compensado. Ele permanecerá sob observação nos próximos dias, conforme protocolo clínico.

Contexto político

Eduardo Siqueira Campos é uma figura histórica na política tocantinense e sua prisão causou grande repercussão no estado. Ele havia retornado ao cargo de prefeito de Palmas após décadas de atuação como deputado federal e estadual. Com seu afastamento, Carlos Velozo assumiu interinamente o comando da prefeitura.

A expectativa agora gira em torno dos desdobramentos da investigação e do quadro de saúde do prefeito, que poderá influenciar os rumos políticos da capital nos próximos meses.

Reportagem: Allessandro Ferreira