Cidades ESTRUTURA SOB ALERTA
Mesmo após anunciar substituição da ponte, DNIT libera tráfego de veículos sobre o Rio Tocantins em Pedro Afonso
Estrutura ficou meses interditada após identificação de problemas e deverá ser substituída por uma nova ponte; decisão de permitir novamente a circulação de carros e motocicletas levanta questionamentos sobre segurança
25/08/2026 17h10
Por: JAVAN QUIXABEIRA Fonte: Redação | Notícia Tocantins

Pedro Afonso (TO) — Menos de três semanas depois de anunciar, durante audiência pública realizada em Pedro Afonso, que a atual ponte sobre o Rio Tocantins deverá ser substituída por uma nova estrutura, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) decidiu liberar novamente o tráfego de veículos leves no local.

A travessia da BR-235, que liga Pedro Afonso a Tupirama, foi parcialmente reaberta nesta terça-feira, 25 de agosto, permitindo a circulação de carros e motocicletas. Veículos pesados continuam proibidos.

A medida chama atenção principalmente pelo histórico recente da estrutura.

A ponte permaneceu totalmente interditada por aproximadamente três meses depois que avaliações técnicas identificaram problemas estruturais. Segundo informações divulgadas pelo próprio DNIT, investigações apontaram danos considerados irreversíveis nas fundações, levando o órgão a definir a substituição da estrutura como solução definitiva.

DNIT anunciou nova ponte

No último dia 7 de agosto, durante audiência pública realizada em Pedro Afonso, representantes do DNIT apresentaram uma série de medidas para reduzir os impactos provocados pela interdição.

Entre os principais anúncios esteve a construção de uma nova ponte sobre o Rio Tocantins.

O órgão também apresentou medidas emergenciais para garantir a mobilidade da população e o transporte de cargas enquanto a solução definitiva não é executada.

A previsão anunciada é que a nova estrutura seja construída para substituir a atual ponte, que deverá posteriormente ser demolida.

Diante desse cenário, a decisão de voltar a permitir veículos sobre uma estrutura cuja substituição já foi considerada necessária inevitavelmente provoca questionamentos: se os problemas identificados justificaram uma interdição total e levaram à decisão de construir uma nova ponte, quais garantias técnicas permitem agora a retomada do tráfego?

Liberação é restrita e monitorada

Segundo o DNIT, a reabertura não é irrestrita.

A circulação está autorizada apenas para carros e motocicletas, enquanto caminhões, ônibus e demais veículos pesados continuam impedidos de utilizar a estrutura.

O órgão informou ainda que a ponte está sendo acompanhada por sensores e monitoramento técnico contínuo. Os usuários também não podem realizar paradas sobre a estrutura.

Caso o monitoramento identifique alterações que indiquem condições de insegurança na estrutura, novas restrições poderão ser adotadas.

O monitoramento, entretanto, evidencia o caráter excepcional da medida e reforça a necessidade de transparência sobre os critérios técnicos utilizados para autorizar a circulação.

População convive com transtornos desde maio

A interdição da ponte trouxe consequências significativas para Pedro Afonso e municípios da região.

A estrutura é estratégica para a BR-235 e para o deslocamento de moradores, produtores rurais, trabalhadores, comerciantes e transportadores. Com o bloqueio, viagens ficaram mais longas e rotas alternativas passaram a receber maior fluxo.

Durante a audiência de 7 de agosto, o DNIT anunciou medidas para amenizar esses impactos, incluindo disponibilização de balsas e intervenções em rotas alternativas.

Agora, a liberação para veículos leves reduz parte dos transtornos enfrentados diariamente pela população, mas coloca novamente no centro do debate uma questão fundamental: a segurança da estrutura existente.

Nova ponte continua sendo solução definitiva

A reabertura parcial não significa que os problemas estruturais tenham sido definitivamente solucionados.

A decisão de construir uma nova ponte permanece e a estrutura atual deverá ser substituída.

Por isso, a liberação temporária exige do DNIT não apenas monitoramento permanente, mas também ampla divulgação dos laudos, critérios técnicos, limites operacionais e protocolos utilizados para garantir a segurança de quem atravessa o Rio Tocantins diariamente.

Depois de meses de interdição, constatação de problemas estruturais e anúncio da necessidade de uma nova ponte, a população precisa saber com clareza o que mudou tecnicamente entre a interdição total e a autorização para que veículos voltem a circular pelo local.

Até que a nova ponte seja construída, a travessia continuará exigindo acompanhamento rigoroso — e, principalmente, transparência sobre as condições reais da estrutura.

(Matéria: Javan Quixabeira)

>>Siga Nosso Perfil No Instagram: @NOTICIA.TOCANTINS