O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins nas eleições de 2026 terminou com uma temperatura abaixo da expectativa. Realizado na noite da última terça-feira (18), em Palmas, o encontro reuniu seis postulantes ao Palácio Araguaia, mas, apesar de algumas críticas e trocas de acusações, não produziu grandes confrontos nem um episódio capaz de dominar a repercussão política após o programa.
Participaram do debate Professora Dorinha (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB), Laurez Moreira (PSD), Ataídes Oliveira (Novo), Professor Witer Naves (PSOL) e Du Pereira (DC). O encontro foi promovido pela Avecom, Record News, Rede Hits FM e RedeTV.
Dividido em cinco blocos, o debate passou por temas como saúde, educação, infraestrutura, segurança pública, agronegócio, geração de empregos e economia. Os candidatos tiveram espaço para apresentações, confrontos diretos, perguntas de jornalistas e considerações finais.
Se o debate foi marcado, em grande parte, pelo tom moderado, um dos poucos momentos que realmente esquentaram a disputa ocorreu durante o confronto entre Ataídes Oliveira e Vicentinho Júnior.
Ataídes questionou Vicentinho sobre sua formação acadêmica e perguntou onde o candidato teria concluído o curso de Engenharia Civil. Em resposta, Vicentinho afirmou que sua biografia não registra formação em engenharia.
Na réplica, porém, Ataídes apresentou uma declaração atribuída a Vicentinho durante uma sessão na Câmara dos Deputados, quando o tucano presidia a Comissão de Agricultura. Na ocasião, segundo o trecho apresentado no debate, Vicentinho teria dito:
“Quando eu fiz a minha engenharia civil na Universidade Católica de Goiás, eu não tinha tempo nem para comer jabuticaba.”
A fala provocou um dos momentos de maior tensão do programa e levantou uma discussão sobre uma possível contradição nas declarações de Vicentinho sobre sua formação acadêmica. O episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e acabou se tornando um dos assuntos mais comentados relacionados ao primeiro debate.
O confronto, entretanto, não evoluiu para uma discussão mais prolongada. Ao longo do restante do programa, os candidatos voltaram a fazer críticas uns aos outros, mas sem que os embates ganhassem intensidade suficiente para alterar o ritmo do debate.
A saúde foi um dos assuntos mais recorrentes do primeiro debate. Além do confronto entre Vicentinho e Professora Dorinha, o tema apareceu nas perguntas formuladas pela produção e pelos jornalistas convidados.
Vicentinho criticou a situação da saúde pública e prometeu construir novos hospitais e realizar mutirões de atendimento. Dorinha, que conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, defendeu obras e investimentos em andamento e falou em descentralizar o atendimento, fortalecendo hospitais em municípios menores.
Professor Witer Naves também criticou as condições da rede hospitalar estadual e afirmou que sua prioridade seria facilitar o acesso da população aos serviços públicos de saúde.
Na discussão econômica, Laurez Moreira defendeu a industrialização do Tocantins como caminho para ampliar a geração de empregos e citou Paraná e Santa Catarina como referências.
Professor Witer apresentou uma abordagem diferente, associando a geração de empregos à valorização dos trabalhadores e ao aumento dos salários, além de reforçar seu posicionamento de esquerda.
No agronegócio, Ataídes Oliveira defendeu medidas para solucionar problemas estruturais, como o déficit de armazenagem e a regularização fundiária. Du Pereira também defendeu a atração de indústrias para processar dentro do próprio Tocantins parte das commodities produzidas no estado.
Apesar das diferenças entre os candidatos, boa parte do debate ficou concentrada em temas já conhecidos da política estadual: saúde, educação, infraestrutura, segurança pública, geração de empregos e fortalecimento do agronegócio.
Ataídes defendeu a construção de 50 escolas de tempo integral, enquanto Professor Witer classificou a meta como inviável. Laurez falou na ampliação da rede de delegacias e na realização de concursos para as polícias Civil e Militar.
Du Pereira, por sua vez, propôs concluir obras inacabadas e utilizar pequenas licitações para movimentar a economia dos municípios, enquanto Dorinha destacou a necessidade de reduzir desigualdades regionais e ampliar a estrutura do estado.
No bloco de perguntas dos jornalistas, os candidatos também foram cobrados sobre saúde, infraestrutura, educação, segurança pública e agronegócio. As respostas, em geral, seguiram a linha de apresentação de propostas e críticas às administrações anteriores ou atuais.
O primeiro encontro serviu principalmente para apresentar os candidatos e colocar na mesa os principais temas que deverão aparecer ao longo da campanha. Houve críticas, acusações e respostas, mas faltou ao programa uma sequência de embates capaz de transformar o debate em um grande acontecimento político.
A discussão entre Ataídes e Vicentinho acabou sendo a principal exceção. O questionamento sobre a formação acadêmica do candidato do PSDB produziu um dos poucos momentos de maior tensão e rapidamente ultrapassou a transmissão, chegando às redes sociais.
Fora esse episódio, a dinâmica do debate foi marcada por confrontos pontuais e apresentação de propostas, sem que nenhum candidato conseguisse impor uma narrativa ou protagonizar um embate que dominasse a conversa política no dia seguinte.
O resultado foi um primeiro debate de temperatura morna: importante para apresentar posições e testar os discursos dos candidatos, mas sem grandes momentos de tensão capazes de redefinir os rumos da disputa.
O primeiro capítulo da corrida pelo Palácio Araguaia está escrito. Mas, ao menos neste primeiro encontro, a campanha ainda ficou longe de produzir o grande embate que costuma marcar o início de uma eleição.
(POR: Javan Quixabeira)