OPINIÃO OPINIÃO
Depois de Carlesse, quem será o próximo a deixar a corrida eleitoral de 2026?
Não chegou nem NAS convenções
15/06/2026 10h29 Atualizada há 4 horas
Por: JAVAN QUIXABEIRA Fonte: Redação | Notícia Tocantins

A desistência do ex-governador Mauro Carlesse da disputa pelo Senado antes mesmo das convenções partidárias escancara uma realidade que costuma se repetir em praticamente todas as eleições: há uma enorme diferença entre anunciar uma pré-candidatura e possuir condições políticas reais de sustentá-la.

Carlesse foi apenas o primeiro a admitir aquilo que muitos preferem esconder até o último momento. Embora tenha governado o Tocantins e já figurado entre os nomes mais influentes do Estado, sua saída da disputa não decorre apenas de justificativas partidárias ou de rearranjos políticos. Ela evidencia a falta de sustentação de um projeto que nunca conseguiu demonstrar força suficiente para se consolidar no cenário eleitoral.

O mais curioso é que o ex-governador não está sozinho. O Tocantins vive uma verdadeira inflação de pré-candidatos ao Senado. A cada semana surge um novo nome disposto a disputar uma das vagas mais cobiçadas da política brasileira. O problema é que, em muitos casos, existe mais discurso do que estrutura, mais anúncio do que apoio e mais expectativa do que realidade.

Nos bastidores, muitos desses projetos parecem ter nascido sem um requisito básico: viabilidade política. Alguns pré-candidatos não apresentam apoio expressivo ou sequer de um grupo político organizado. Outros anunciam suas pretensões eleitorais e, logo em seguida, desaparecem do debate político estadual.

Um exemplo frequentemente citado nos meios políticos é o do vice-prefeito de Palmas, Pastor Carlos Veloso. Desde gravou um video anunciando sua pré-candidatura ao Senado, não se viu uma mobilização política significativa em torno de seu nome. Até o momento, não houve demonstrações públicas relevantes de apoio por parte de prefeitos, vereadores ou lideranças estaduais que indiquem a consolidação de um projeto eleitoral competitivo. A impressão transmitida é a de que o anúncio da pré-candidatura foi muito mais impactante do que os movimentos políticos realizados posteriormente para sustentá-la.

E esse não parece ser um caso isolado, a impressão que fica é que determinadas pré-candidaturas foram lançadas no conhecido "vai que cola". Se houver crescimento, seguem adiante. Se não houver, a retirada é apresentada posteriormente como decisão estratégica. O problema é que a política não funciona apenas na base da vontade pessoal. Eleições majoritárias exigem estrutura, articulação, alianças, presença política e capacidade de mobilização em reunir apoios reais..

Por isso, a desistência de Carlesse dificilmente será um caso isolado. Na medida em que as convenções se aproximarem, a tendência é que a realidade comece a substituir o discurso. Muitos dos nomes que hoje aparecem como pré-candidatos descobrirão que intenção não é candidatura, exposição não é apoio e anúncio não é viabilidade eleitoral.

Até lá, o eleitor continuará assistindo a uma disputa onde o número de pré-candidatos parece crescer a cada dia. A dúvida não é se haverá novas desistências. A verdadeira dúvida é quantos dos atuais postulantes conseguirão chegar de pé até as convenções.

Porque, no ritmo em que as coisas caminham, Mauro Carlesse pode ter sido apenas o primeiro da fila. E, como se diz aqui no Tocantins, fica apenas uma pergunta: quem será o próximo a pegar descendo?

(POR: Javan Quizabeira)

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