O que era para ser um encontro institucional de vereadores se transformou em um verdadeiro campo de batalha política na última quinta-feira, 26, em Palmas. O evento da Associação das Câmaras Municipais (ASSCAM) foi tomado por discursos inflamados, troca de farpas e recados diretos entre lideranças politicas e pré-candidatos, escancarando o nível de tensão que já domina o cenário político tocantinense.
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O momento mais explosivo veio com a fala do governador Wanderlei Barbosa, que não poupou palavras ao responder críticas e possíveis articulações contra seu mandato. Em tom desafiador, ele lançou uma declaração que rapidamente repercutiu em todo o estado:
“A polícia que entrou na minha casa entrou na casa de vocês também”
Na sequência, o governador endureceu ainda mais o discurso e desafiou abertamente qualquer tentativa de investigação ou afastamento:
“Então eu quero dizer presidente Amélio, pode fazer a CPI, porque no dia que policia entrou na minha casa entrou na casa de vocês também, então eu quero que vocês cuida dessa forma, se eu mereço o impeachment, o senhor pode até deixar o impechmente, se quiser botar pra votar, pode votar o impeachment, porque eu sei o que eu fiz nesse estado, eu sei a consciência que eu tenho” Disse o governador Wanderlei Barbosa.
A resposta veio logo em seguida. O presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres durante seu discurso adotou um tom firme em defesa do governador e anunciou uma medida direta sobre os pedidos de impeachment:
“Seu impeachment governador, não deveria nem ter aparecido, terça-feira eu vou arquivar os quatro pedidos de impeachment que está lá na assembleia legislativa” Disse Amélio.
As declarações incendiaram as redes sociais e dominaram o debate político no Tocantins. A fala de Wanderlei foi interpretada por muitos como uma estratégia clara de enfrentamento — o recado de que, caso seja atingido, não cairá sozinho.
O episódio também remete à operação da Polícia Federal que já atingiu o núcleo político do estado, quando o governador foi afastado por corrupção e parlamentares foram envolvidos. Na ocasião, 10 deputados estaduais em exercício e 9 ex-deputados foram alvo de medidas, somando 19 nomes — praticamente a composição inteira da Assembleia, que conta com 24 cadeiras, o que evidencia praticamente nula a chance de impeachment.
O encontro da ASSCAM deixou evidente que o clima de pré-campanha já domina os bastidores. Com a proximidade do fim da janela partidária, período decisivo para definições políticas, o cenário tende a esquentar ainda mais.
Depois do que foi visto em ontem em Palmas, uma coisa ficou clara: a disputa pelo poder no Tocantins entrou de vez em um novo nível — e ainda promete capítulos mais intensos.
(Matéria: Javan Quixabeira)