A possível filiação do deputado federal Vicentinho Jr. ao PSDB deve provocar uma reconfiguração imediata no comando do partido no Tocantins. Com apoio da cúpula nacional da legenda, a movimentação abre caminho para que o parlamentar assuma a direção estadual, hoje ocupada pela ex-prefeita de Palmas, Cínthia Ribeiro.
Caso a filiação se concretize, o cenário aponta para uma solução pragmática: Vicentinho passaria a liderar o partido visando uma candidatura majoritária, enquanto Cínthia deixaria a presidência, mas não necessariamente o projeto político. Aliados de Vicentinho avaliam que ela poderia ser acomodada em uma chapa majoritária ou disputar uma vaga de deputada federal.
A mudança atende a uma lógica eleitoral clara. O PSDB busca fortalecer sua base de votos para sobreviver à cláusula de barreira, e Vicentinho Jr. já demonstrou força política concreta: em 2022, à frente do PP, levou a sigla a ultrapassar a marca de 80 mil votos no Tocantins, garantindo a eleição de dois deputados federais; já na última eleição municipal, comandou um desempenho expressivo ao eleger 16 prefeitos. Trata-se de capital político real, capaz de impulsionar qualquer legenda no Estado. Em contraste, Cínthia Ribeiro, apesar da visibilidade por ter governado Palmas, deixou um PSDB encolhido e eleitoralmente frágil. Mesmo no comando da sigla e ocupando a Prefeitura da capital em 2022, não conseguiu eleger um único deputado federal e obteve apenas um deputado estadual — seu próprio marido, Eduardo Montoan. Nas eleições municipais mais recentes, o desempenho foi igualmente tímido, com a reeleição de apenas dois prefeitos, ambos em municípios de baixo peso eleitoral, Lajeado e Novo Acordo, números que expõem o esvaziamento político do PSDB sob sua liderança.
O desfecho ainda depende de confirmações formais, mas a entrada de Vicentinho no PSDB tende a redefinir não apenas o comando partidário, como também o papel de Cínthia Ribeiro no cenário eleitoral de 2026.
(MATÉRIA: JAVAN QUIXABEIRA)